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Arte e ciência - Projeto bioartístico - Pele à prova de balas - Jalila Essaid


Em Salt Lake City, Estados Unidos, um projeto bio artístico para criar pele à prova de balas deu mais esperanças ao pesquisador Randy Lewis, de Utah, de que seu tecido de leite de cabra com proteínas de seda de aranha modificada geneticamente possa ser usado para ajudar cirurgiões a fechar grandes feridas e criar tendões e ligamentos artificiais. Esse tecido resiste ao impacto de uma bala calibre 22.

O pesquisador Lewis e seus colaboradores revelaram, em 2011, que haviam encontrado um método comercialmente viável para fabricar fibras de seda usando leite de cabras com proteína de bicho de seda com genes de teias  de aranhas enxertados. A seda de aranha é uma das fibras mais fortes que se conhece e cinco vezes mais forte que o aço. As fibras criadas por Lewis não são tão fortes, porém muito mais fortes que a seda produzida por bichos de seda simples. Os cientistas introduziram os genes das teias nas cabras, para que dessa forma as cabras produzissem o leite com as proteínas que interessavam aos pesquisadores. Isso foi fundamental para o trabalho da artista holandesa Jalila Essaid.

Com ajuda de Lewis, a artista realizou um experimento no qual elaborou uma estrutura de células epidérmicas humanas e seda capaz de deter balas disparadas a baixa velocidade. É o projeto 2.6g 329m/s. 2.6g e 329 metros por segundo são, respectivamente, o peso total e a velocidade máxima alcançada por uma bala calibre 22, a qual foi utilizada nos testes.

Disse Essaidi: "A Randy e a mim, nos motivou o mesmo: curiosidade pelo resultado do projeto. Tanto o artista quando o cientista são seres inerentemente curiosos. Lewis pensou que o projeto era um pouco disparatado em princípio. Porém, no fim das contas, que pessoa curiosa pode dizer não a um projeto como este?" conclui a artista. 

Ela, que usou um patrocínio europeu para financiar seus projetos nos prêmios Designers & Artists 4 Genomics Awards, queria, em princípio, usar a seda de aranha produzida com leite de cabras para tirar proveito, a grosso modo, da combinação mamífero-aranha. Porém, Lewis não tinha suficiente seda de aranha-cabra para enviar centenas de metros a Essaidi. Assim, enviou bobinas de seda de bicho da seda que modificou de forma similar à das cabras.

Essaidi tentou inicialmente disparar balas calibre 32 na "pele" colocada sobre um quadro. Porém, decidiu colocá-la sobre um bloco especial de gelatina que se usa no Instituo Forense da Holanda. Com uma câmara de alta velocidade, mostrou que uma bala disparada a baixa velocidade perfurava a pele entramada com a seda de um bicho de seda comum. Porém, quando testou com a seda do bicho da seda modificada geneticamente entre a epiderme e a derme, a pele não se abriu, embora não possa repelir uma bala disparada a velocidade normal por um rifle calibre 22. "Acabou cinco centímetros dentro do dorso, de forma que não teria salvado sua vida. Porém, sem dúvida, a parte mais emocionante para nós é o fato de que foram capazes de recriar a pele em cima de nossas fibras", disse Lewis. "É algo que não havíamos feito. Ninguém trabalhou nessa área."
Se a pele humana produzir esta fibra, "estaríamos protegidos das balas?", perguntou Essaidi em seu blog. "Quero explorar as implicações sociais, políticas, éticas e culturais relacionadas com a segurança em um mundo com acesso a novas biotecnologias."

Lewis minimizou a importância das potenciais aplicações de blindagem de sua pesquisa. Porém disse que cultivar células e usar o material para substituir grandes porções de pele humana poderia ser significativo para os cirurgiões quando eles tentam cobrir feridas ou tratar pessoas com queimaduras graves. Ele não pode dar um cálculo de quando poderiam começar a usar as fibras com esse fim porque isso exigiria aprovação das autoridades. Mas assinalou que espera fazer algumas provas em animais nos próximos dois anos e que a seda de aranha já mostrou ser muito compatível com o organismo humano.


Fontes:   Emol.com, pijamasurf

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