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Bienal de Veneza 2013 - Frédéric Bruly Bouabré

Gosto muito do trabalho desse artista africano, que conheci por ocasião da Documenta de Kassel de 2002, onde ele apresentou mais de 400 desses pequenos desenhos... Quando foi na Bienal de São Paulo de 2012, lá estava ele outra vez, mostrando os seus desenhos... Agora, na Bienal de Veneza de 2013 de novo o encontro, com trabalhos expostos na mesma sala em que estão os trabalhos do brasileiro Arthur Bispo, só que com uma quantidade bem menor de desenhos.
Como Bispo do Rosário, ele também teve uma visão... Então, reproduzo abaixo um pouco sobre Bouabré, numa tradução adaptada a partir do catálogo da Bienal de Veneza.

Filosofia, antropologia, misticismo e diplomacia são assuntos que despertam o interesse de Frédéric Bruly Bouarbré, artista da Costa do Marfim, nascido em 1923. Ele trabalhou como empregado estatal até 11 de março de 1948, dia em que teve uma visão que o designava como "Cheik Nadro", "aquele que não esquece". Essa vivência o induziu a fundar sua própria religião , a Ordem dos Perseguidos", e a transcrever as revelações recebidas em um manuscrito mais tarde publicado com o título de "Livre das Leis Divinas". Bouabré se empenhou também na representação Beté, uma língua não escrita quase extinta, originária da Costa do Marfim, com o alfabeto pictográfico de mais de quatrocentos caracteres que define escritura africana: os hieroglifos, transpostos em fichas de arquivo, integram na transcrição fonética e na forma de cada letra, desenhos inspirados em costumes, traduções e de invenções. Bouabré compartilha o seu alfabeto com várias organizações no Senegal, na Costa do marfim e no seu vilarejo natal, onde diversos habitantes e membros da Ordem aprenderam a lê-lo e escrevê-lo correntemente.
Bouabré continuou a produzir desenhos sobre papel e papelão em tamanho postal (10 x 15 cm), empregando materiais simples como pastel e lápis de cor. A série em processo "Connaissance du monde" (Conhecimento do mundo), que iniciou em 1982, e outras como Symboles et mythes (1987-1988) e L'Univers (1987-1988) traçam conexões e correspondência entre o mundo espiritual e o real. Entre as revelações recebidas por Bouabré há o conceito que Deus é um escritor e Bouabré crê que a "escritura divina" de Deus seja constituída de objetos animados e inanimados, de seres vivos e dos fenômenos físicos: através de todos os objetos e seres do mundo. Deus escreve perpetuamente, transmitindo ao universo a estrutura e a forma que Bouabré continua a registrar na sua coleção de desenhos.

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substantivo masculino 1. Númeronecessáriodemembrosparaqueuma.assembleiapossafuncionar. 2.����������…