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A virtude da Prudência

Taça com uma alegoria da figura da Prudentia
Hans Petzolt, Nuremberg, c. 1580

Fonte: aqui

A prudência é uma das quatro virtudes cardeais da Antiguidade e da Idade Média. As outras são a temperança, a coragem e a justiça.

Os estóicos consideravam a prudência como “a ciência das coisas a fazer e a não fazer”, o que Aristóteles recusara legitimamente, afirmando que só há ciência do necessário e prudência do contingente. A prudência não é uma ciência; ela é o que faz a sua vez quando a ciência falta.

Prudentia, observava Cícero, vem de providere, que significa tanto prever quanto prover. Virtude da duração, do futuro incerto, do momento favorável (o kairós dos gregos), virtude de paciência e de antecipação.

A prudência é o que separa a ação do impulso, o herói do desmiolado. No fundo é o que Freud chamará de princípio da realidade, ou pelo menos a virtude que lhe corresponde: trata-se de desfrutar o mais possível, de sofrer o menos possível, levando em conta as imposições e incertezas do real.

A prudência faz as vezes do que é, nos animais, o instinto e, dizia Cícero, do que é, nos deuses, a providencia.

Dizia Santo Agostinho: “A prudência é um amor que escolhe com sagacidade.”


Fonte: Livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, de André Comte-Sponville.

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